segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que você deve saber resumidamente sobre a doença celíaca: Diagnóstico





Aposto que ao ler sobre todos os sintomas, muitas pessoas ficaram assustadíssimas, pois se identificaram e já estão desesperadas achando que são portadoras da doença. 

De fato, muitas pessoas são e nem sequer imaginam. Porém, não há porque criar pânico. Primeiro, porque você pode não ter absolutamente nenhum diagnóstico (a intenção deste espaço não é criar doença nas pessoas e sim, esclarecê-las sobre ela, alertando sobre uma possível sensibilidade ao glúten). E por que eu tenho esse objetivo? 
Vamos falar sobre estatísticas e curiosidades para que vocês entendam que isso é mais comum do que se imagina. Apesar de os dados estatísticos, no Brasil, não serem oficiais, consegui retirar, de fontes confiáveis, alguns deles.

- Na Europa, a doença celíaca é a doença genética mais comum. Na Itália, a cada 250 pessoas, 1 é portadora da doença. Na Irlanda, 1 em 300 pessoas;
- É uma doença rara entre africanos, chineses e japoneses;
- Na Europa, o tempo médio entre o surgimentos dos sintomas e o diagnóstico da doença é de 6 meses;
- A doença celíaca foi citada por um artigo do Reader´s Digest como uma das 10 doenças que mais são deixadas de ser diagnosticada;

Abaixo, dois gráficos retirados do site da ACELBRA-SP, mostram a realidade da doença. Se preferirem, cliquem na foto para visualizá-la em tamanho maior.

Celíacos cadastrados divididos por estado

Celíacos divididos por idade, até 90 anos

A mais chocante de todas as estatísticas que tenho lido:
- Para cada pessoa diagnosticada, 140 não são diagnosticadas. Levando em consideração apenas a doença celíaca e excluindo a sensibilidade ao glúten. 

Fiquei extremamente indignada ao ler sobre esta estatística no livro "Vivendo sem glúten". E pensando sobre tudo isso, vamos falar de diagnóstico.

Como a doença é diagnosticada?
Como já vimos, a doença pode levar anos para ser diagnosticada, como no meu caso. Alguns exames são utilizados para detectar a doença:
- Exames sorológicos: têm por objetivo procurar os anticorpos que o organismo produz quando alguém com a sensibilidade ou doença celíaca consome glúten. Há que se ter bastante cuidado com este tipo de exame porque eles podem fornecer resultados falsos, pois é necessário que a pessoa tenha consumido glúten por um longo período de tempo antes de realizar o exame. Os exames mais pedidos são anti-glutaminase tecidual, anticorpos antiendomísios, anticorpos antigliadina IgA e IgG. Outros exames podem ser solicitados pelo médico, a afim de avaliar a gravidade da doença e a extensão de uma possível má nutrição, má absorção e comprometimento de órgãos.
Porém, os exames de sangue não são suficientes para o diagnóstico. Eles apenas fornecem os marcadores positivos ou negativos para a doença. O gran finale é com a biópsia do duodeno. 
- Biópsia do duodeno: lembram que escrevi sobre as vilosidades do nosso intestino? Pois então, para o diagnóstico é necessário que se analise como elas estão e, para isso, deve ser realizada uma endoscopia com a biópsia do duodeno. Calma! Não se apavorem! Você vai dormir, não verá nada e, durante a realização do exame, o médico retirará um pedacinho bem pequeno do duodeno (é a parte que liga o estômago ao intestino delgado). Neste pedacinho bem pequeno, que não te fará falta, vão estar as vilosidades e consequentemente com a análise sobre elas, um possível diagnóstico. Devo enfatizar que uma atrofia leve das vilosidades já pode significar danos. Portanto, nada de 

atrofia total das vilosidades = diagnóstico de doença celíaca. 

O correto é a 

atrofia parcial ou total das vilosidades = diagnóstico de doença celíaca. 

Exames realizados, hipótese do patologista, tudo acabado. Nada disso, você deve voltar ao seu médico, possivelmente um gastroenterologista, e é este quem deve dar o cheque-mate de tudo, ou seja, é ele quem vai interpretar os resultados dos exames. 
Vocês se lembram que a patologista que observou meu exame relatou que eu não possuía doença celíaca? Há inúmeros motivos para que isso aconteça, entre eles, existem laboratórios e laboratórios, patologistas e patologistas. Sendo assim, alguns vão crer que somente a atrofia total das vilosidades indicam a doença, enquanto que outros podem considerar a atrofia parcial já como indicativo. No meu caso, eu possuía uma atrofia parcial das vilosidades. 

E um ponto super importante: o patologista não conhece os sintomas do paciente, tampouco sua história pregressa. Ou seja, dar um diagnóstico não é somente fazer um exame. É a junção do estado clínico do paciente + exames. É um verdadeiro quebra-cabeça, sendo o médico o único apto, nestes casos, a desvendá-lo.

Então, se o médico é tão apto assim porque eu só fui diagnosticada após 26 anos, como muitas outras pessoas? Foi a pergunta que eu me fiz diversas vezes e que só com a leitura, descobri a resposta. 
Afinal, por que é tão difícil se chegar a um diagnóstico? Milhares de pessoas podem, ainda, ficarem pasmas e dizerem: "mas eu fui em um dos melhores médicos da área...". De fato, não duvido disso e completo: Acredite! Não é porque ele não diagnosticou que ele é ruim! Claro, médicos ruins existem mas muitas outras questões estão envolvidas. 

- Os médicos não são expostos a doença celíaca durante a faculdade e residência;
- Alguns médicos obtêm informações médicas de laboratórios, artigos de periódicos e conferências. Provavelmente, "já ouviram falar sobre...";
- Os sintomas são diversos, inexistentes ou confundidos com outros diagnósticos;
- Os médicos podem achar que os pacientes exageram ou inventam, com relação ao que sentem;
- Os médicos podem ficar na defensiva e desconfortáveis quando não souberem o que fazer com o que você sente. Muitos sentem dificuldade em dizer "não sei";
- Exames rotineiros, como hemograma completo, não apontam para o problema;
- Endoscopias e biópsias mal-feitas não detectam a doença;
- Corte de custos na área da saúde acabam por limitar os exames;
- Falta de experiência diante do diagnóstico (sendo esta, opinião minha. Não é porque o médico é gastroenterologista que ele já tenha visto de tudo. Seja lá por qual motivo, talvez ele nunca tenha visto uma paciente sequer com doença celíaca. Logo, para ele, aquilo será incomum).

Uma outra coisa que eu já li e escutei sobre é: "eu ainda não fiz os exames mas meu médico já me orientou fazer a dieta". Cuidado! 

Não existem motivos que justifiquem iniciar dieta isenta de glúten, sem realizar a biópsia!
(Recomendação da ACELBRA-SP)


Portanto, já dizia a minha mãe: não existe omelete sem quebrar os ovos! Não está se sentindo bem, está desconfiado, encucado ou seja lá o que for, procure seu médico e converse com ele. Pergunte para ele se ele não pode solicitar alguns exames sorológicos para que você se tranquilize. Lembre-se, você pode não ter absolutamente nada ou algum outro diagnóstico. 

Até mais


Fonte: Vivendo sem glúten (livro); Gastronet.com.br, Doença celíaca.com.br; ACELBRA-SP.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A polêmica dieta sem glúten

Viver sem glúten é muito mais do que retirá-lo da dieta. Certamente, uma vida sem glúten afeta não só a nossa alimentação como todos os aspectos, inclusive o social! (com 20 dias de diagnóstico fui a um casamento! Claro, voltei mega depressiva. Mas isso eu vou contar em um capítulo a parte!)

Viver sem glúten demanda muita disciplina. Como eu já tinha uma questão com a gastrite, eu já era muito disciplinada. Então, isso me ajudou a ter mais autocontrole. Vontade dá mesmo (até hoje)...mas quando eu tenho uma, substituo, no mesmo minuto, por uma cena: a do dia seguinte! (No meu caso, sou tão reativa, que assim que acabo de comer, apresento os sintomas). Pronto, a vontade passa rapidinho.

A partir do momento em que você é diagnosticado com alguma intolerância, pode se sentir um peixe fora d´água, afinal, onde quer que estejamos parecemos ser os únicos. Não se desespere! Você não está sozinho. Sua necessidade é a de milhares de outras pessoas também. E vamos combinar, comer tem que ser algo prazeroso e não que te cause episódios de quaisquer sintomas, não é mesmo? A não ser o de satisfação e felicidade.

Ok! Eu mudo meus hábitos alimentares e o que ganho com isso?
Uma depressão por ver todo mundo comendo e não comer? Ou melhor, passo fome? Inicialmente, eu senti tudo isso...tristeza por não saber o que comer, passei fome em alguns momentos (principalmente quando saía de casa), vergonha por ter que recusar o que as pessoas me ofereciam, vontade, angústia...uma lista gigantesca de sentimentos ruins que dificultavam minha situação. 
Porém, não há dúvidas de que deixar de consumir glúten, para os celíacos, é benéfico para todo o organismo.

A primeira delas é que quando deixamos de consumir o glúten, mandamos embora todos os sintomas citados anteriormente (para quem quiser rever, clique aqui) e consequentemente, começamos a fortalecer nosso intestino. 
Então, é mais do que certo de que os benefícios existem. 

E se eu não for celíaco? Não possuir nenhum tipo de intolerância e ainda sim escolher não consumir glúten?
Conheço muitas pessoas que por orientação nutricional ou médica, simplesmente deixaram de consumir o glúten. E a pergunta é: o porquê deste tipo de orientação? Por que muitos famosos estão aderindo a dietas sem glúten?



Curiosidade:
Vocês sabiam que o seres humanos não digerem totalmente o trigo? Acreditem se quiser!
Nós possuímos somente um estômago e ele não é suficiente para para digerir o trigo. As vacas possuem quatro câmaras, dentro do estômago, e quando ingerem o trigo, ele vai passando de uma câmara para outra, até ser totalmente digerido. 


Ao falarmos deste tipo de orientação, entramos em um assunto que estudei este final de semana: a questão ética frente ao Conselho Regional de Nutrição (CRN). Devido a algumas orientações nutricionais descabidas ou desenfreadas, com relação a retirada do glúten da dieta, o CRN decidiu, em um encontro científico, que isto "só deve acontecer mediante diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, de dermatite herpetiforme, de alergia ao glúten, ou quando, eliminada a hipótese de doença celíaca, haja diagnóstico clínico confirmado de sensibilidade ao glúten (também denominada como intolerância ao glúten–não celíaca)."

Ou seja, nada de retirar o glúten se você não tiver um diagnóstico médico. Caso algum profissional infrinja esta parte do código de ética nutricional, sofrerá as penas cabíveis e determinadas. 
Foi exatamente por este motivo que a minha querida amiga nutricionista Sarah Passos não escreverá aqui sobre os benefícios de uma dieta sem glúten, pois, se o fizesse, poderia sofrer consequências muito ruins para a atuação dela. Há nutricionistas a favor e contra não só a medida, mas também a questão da retirada do glúten.

Eu concordo que muitos profissionais oferecem a seus pacientes orientações descabidas. Sendo mais clara, muitos profissionais não se encontram aptos a oferecerem as orientações que oferecem. Pois bem, certamente muitos nutricionistas saíram por aí orientando uma dieta sem glúten sem ao menos conhecer se o paciente que estava ali, na sua frente, possuía recursos (sejam financeiros, emocionais ou de qualquer outra ordem) para segui-la. Lidar com pessoas é isso, levar em consideração a subjetividade delas...cada ser é único e deve ser visto em sua singularidade (papo de psicóloga mas totalmente verdadeiro e cabível quando lidamos com pessoas). 
Hoje, sabe-se que muitas (mas muitas mesmo!) pessoas possuem alguma intolerância ao glúten, transformando-as em sensíveis a ele ou celíacas (quadro grave de intolerância alimentar a proteína). Há pesquisas que apontam que 20% da população tem sensibilidade ao glúten. Com isso, houve o aumento de produção de alimentos oferecidos nas prateleiras comerciais. Empresários, a fim de atingir este tipo de mercado, acabam oferecendo opções deste tipo de alimento, porém não recomendados para os celíacos. Como assim?
É dito "sem glúten", porém não é bem por aí: podem haver resquícios da proteína. Para um celíaco isso pode ser bastante prejudicial, visto que podemos passar mal com quantidades pequenininhas da proteína. De forma resumida, o alimento é para aqueles que suportarão estes resquícios e não para os celíacos. 

Sabe quando temos certeza disso? Quando você pergunta para a pessoa: "você produz alimentos sem glúten?" e a pessoa responde: "claro!". Se você é celíaco, vai insistir: "mas você o prepara em algum lugar especial?" e ela logo rebate, "não!". Pronto, este é um exemplo clássico de que a pessoa não garante 100% de segurança de que um celíaco pode consumir aquele alimento (falarei, em uma outra ocasião, sobre a contaminação cruzada).

Estão dizendo por aí que o glúten, quando retirado da alimentação, traz benefícios a saúde, sendo o mais citado o emagrecimento. Artistas famosas como Juliana Paes e Luciana Gimenez já aderiram a dieta e relatam ter perdido de 5 a 10 kg com ela. Mas, nem tudo o que reluz é ouro e é preciso pensar sobre o assunto. De que adianta tirar o glúten da dieta e continuar comendo bolos, doces e comidas, desenfreadamente, só porque são na versão sem glúten? Dieta exige orientação profissional e muita disciplina.

Por um lado, eu hei de concordar com alguns profissionais que esta medida do CRN foi uma imposição quando na verdade, quem deve escolher (no caso dos não celíacos) se vai ou não seguir uma dieta sem glúten é o próprio paciente, juntamente com quem está orientando-o. Vejam, isso para os não celíacos e não sensíveis ao glúten. Cheguei a ler, em um blog, relatos de uma nutricionista com a justificativa de que "uma dieta isenta de glúten é muito difícil de ser seguida. É cara e o paciente sofre ao sair com os amigos e não poder comer as mesmas coisas que eles, mesmo não tendo nenhuma doença que o impeça disso."

Realmente é, como afirmei logo que abri esse post. Mas...

Cadê a democracia? Cadê a subjetividade? Cadê o direito de escolha, de cada pessoa? Impor que determinada pessoa não possa retirar o glúten de sua dieta é atestar que ela não é apta a escolher e decidir sobre sua vida, quando na verdade ela pode ser sim. 

Mais do que isso, essa medida do CRN, no meu ponto de vista, atesta que um nutricionista não sabe o que está fazendo. Claro, muitos não sabem mesmo mas, e os que sabem? O CRN não está preparando os profissionais para atuarem diante desta temática, está simplesmente "amarrando" a atuação deles. 
Qual o problema de uma pessoa escolher viver sem glúten, desde que tenha acompanhamento médico e nutricional? 

Mas, como tudo no Brasil, a educação fica para o último plano, é mais fácil criar um lei e boicotar tudo do que parar para se pensar nela e ver onde é que o problema começa. Se pararmos para pensar, o problema começa exatamente na formação dos profissionais.

Não estou escrevendo aqui e fazendo apologias a receitas fornecidas pelas revistas, porque claro, elas não levam em consideração a singularidade da pessoa, partindo do princípio de que aquela dieta servirá para todos (e eu realmente acho isso um absurdo). Estou defendendo um atendimento particular, no sentido real da palavra. Aquele que atende as necessidades da pessoa, leva em consideração o desejo dela, fazendo um paralelo com aquilo que o profissional tem de conhecimento e julga que será adequado para o paciente. 

Por outro lado, esta medida do CRN pode brecar esta questão citada acima, de que os alimentos estão sendo focados para pessoas que seguem uma dieta por escolha e não por necessidade. Um ponto positivo para nós, celíacos. 

O tema é bastante polêmico e há pesquisas que defendem os dois lados. Eu continuo lendo e pesquisando sobre o tema. Há muitas controvérsias mas também muitas coisas interessantes. Há especialistas que defendem o glúten como indigesto para todas as pessoas mas há os especialistas que defendem o contrário, sendo prejudicial apenas para quem tem a doença ou alguma intolerância.


Para finalizar, enfatizo: nada e nem ningúem melhor do que nós mesmos para dizer o que sentimos e como nos sentimos quando nos alimentamos. Devemos escutar nosso corpo. Ele nos dá sinais quando algo não vai bem. Troquem idéias com seus médicos e/ou nutricionistas. Tanto você quanto o profissional devem falar e escutar.

Polêmicas a parte, o que vocês pensam sobre este assunto?
Eu, particularmente, conheço pessoas que disseram que a vida mudou da água para o vinho quando retiraram o glúten da dieta. 

Fica aqui um tema para refletirmos...

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Dica de hoje

E já que estamos falando desta questão da sensibilidade X doença celíaca, hoje tenho uma dica de restaurante. Infelizmente eu não tive a oportunidade de experimentar. 

Estou falando do Le Manjue Bistrô, comandado pelo chef Renato Caleffi, referência em gastronomia funcional e sustentável. 
O Le Manjue foi pensado para pessoas que têm o desejo de diminuir o consumo do glúten. O Renato, com toda a sua simpatia e paciência, me esclareceu que há risco de contaminação cruzada na cozinha deles, pois são produzidos pães e bolos no mesmo local. Ele completou: "Temos clientes celíacos que nunca tiveram problemas, embora isso seja algo muito individual."

O cardápio é de dar água na boca. 
Aproveitando, quero agradecer a atenção que o Renato e o Bruno tiveram comigo.

Para quem quiser conhecer o Le Manjue Bistrô, basta entrar no site (clique aqui!) ou na página do facebook, aqui!

Até a próxima!


Fonte: Vivendo sem glúten (livro); site do CRN.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O que você deve saber resumidamente sobre a doença celíaca: Sintomas


Como já foi dito, cada organismo reage de uma maneira. Então, não é porque você lerá o que vou escrever aqui que você tem ou não a doença. É importante ter um acompanhamento médico e realizar exames. Infelizmente, a doença celíaca é uma doença de difícil diagnóstico e muitas pessoas acabam não sendo diagnosticadas como celíacas, mas podem apresentar algum tipo de sensibilidade, em maior ou menor grau, ao glúten. 

Hoje falaremos sobre os sintomas da doença. Afinal, o que sentimos quando apresentamos intolerância ao glúten?

Logo de cara, acredito ser super importante explicitar uma verdade que poucas pessoas sabem. A doença celíaca pode se manifestar, provocando sintomas clássicos (sintomas mais comuns), de maneira atípica (sintomas pouco comuns, porém existentes) e simplesmente não manifestar sintoma algum. 

Na categoria dos sintomas clássicos, frequentemente observados em crianças, podemos agrupar a desnutrição, anemia ferropriva, emagrecimento, falta de apetite, barriga inchada, vômitos, dor abdominal, pernas e braços finos e apatia. Inclui-se aqui, com relação aos adultos a osteoporose, esterilidade e abortos de repetição. Muitas vezes, a desnutrição se torna tão grave que pode levar a pessoa à morte, na falta de diagnóstico de tratamento adequados. A diarréia também pode ser considerada um sintoma clássico, visto que a maioria dos pacientes celíacos relatam diversos episódios diarréicos.

Já na categoria dos sintomas atípicos, pode-se citar a fadiga, irritabilidade, baixo ganho de peso e estatura, prisão de ventre crônica, manchas e alteração no esmalte dental, além da osteoporose antes da menopausa.

Por fim, na categoria da forma assintomática da doença, são realizados exames sorológicos (que chamamos de marcadores sorológicos para a doença) em familiares de primeiro grau do paciente, que têm mais chance de apresentar a doença (10%).


Depois de ler sobre tantos sintomas, decidi agrupá-los desta forma, para facilitar a leitura, lembrando que eles variam de pessoa para pessoa:

- Diarréia crônica 
- Prisão de ventre (foi o meu caso...lembram que comentei isso?);
- Anemia (com tantos episódios de diarréia e com a mucosa intestinal machucada, pela própria doença, fica difícil para o organismo captar os nutrientes que necessitamos);
- Falta de apetite (às vezes, eu tinha muita falta de apetite...me sentia tão "empanturrada" que não sentia vontade de comer);
- Vômitos;
- Emagrecimento;
- Nas crianças, atraso no desenvolvimento (poxa! eu poderia ter crescido um pouquinho mais!);
- Alteração do humor (irritabilidade, desânimo). Nas crianças isso pode ser demonstrado através do choro (aquelas crianças que choram muito!);
- Distensão abdominal (muitas vezes parecia que eu estava grávida, de tão inchada que minha barriga ficava!);
- Dores abdominais;
- Gases;
- Exames anormais do fígado;
- Dermatite herpetiforme (erupções na pele);
- Osteoporose ou osteopenia;

Como vocês podem ver, os sintomas são muitos. Também, se vocês observarem, eles podem ser representados por diversas "partes" do nosso corpo: sistema gastrointestinal, parte óssea, sistema reprodutivo e até a parte emocional. Por isso, é tão importante nos cuidarmos quando somos diagnosticados com este tipo de intolerância. Caso não haja cuidado, os sintomas só tendem a piorar, causando diversas complicações. Lembrem-se disso quando aquele bolo de chocolate super glutenoso te dar água na boca! Certamente você estará matando sua vontade mas causando inúmeros danos à sua saúde.

Em julho de 2011, uma pesquisa revelou que a doença celíaca leva à morte 42.000 crianças todos os anos, no mundo todo. Então, quando alguém te disser que "isso é uma bobeira", "come só um pouquinho", tenha em mente que não é bem por aí. 
Se você ficou indignado em ler que alguém pode te dizer isso, não fique. Pois eu já passei por isso e se você acabou de entrar para o mundo sem glúten, também passará. Resista!

Aliás, vocês sabem como a doença celíaca surgiu? Eu acho essa história super interessante!

No século II, um grego descreveu doentes com um determinado tipo de diarréia, chamando-os de "Koiliakos" (aqueles que sofrem do intestino). Isso nos leva a crer que nesta época a doença já era referida. 
Em 1888, um médico pesquisador, Samuel Gee, descreveu os sintomas detalhadamente, desconfiando que as farinhas poderiam ser as causadoras da doença. Chamou-a de "afecção celíaca" e afirmou que o doente deveria abster-se do consumo de farinhas. E ressaltou: o único meio de tratamento era a dieta.

Samuel Gee

Na Segunda Guerra Mundial, com o racionamento dos alimentos, especialmente do pão na Holanda, um médico observou que as crianças com a tal "afecção", haviam melhorado. Mais tarde, outro médico demonstrou que o trigo e o centeio continham a substância que provoca a doença: nada mais, nada menos do que o glúten. 

A partir disto, os diagnósticos começaram a ser realizados até que um oficial e um engenheiro (clap clap clap para os engenheiros!) desenvolveram um pequeno aparelho com o qual podia-se efetuar as biópsias do intestino sem operar o doente e até hoje, com pequenas modificações, ele é utilizado. Não é um máximo? 

Pesquisando, encontrei que o tal oficial e também importante médico hematologista é o William Holmes Crosby Jr. E pasmem! Ele morreu recentemente, em 2005. 

Já o engenheiro é um americano com o nome de Heinz W. Kugler. Pesquisei sua biografia, porém não encontrei.

Vocês já sabiam disso? Possuem outras informações relevantes? Sugestões para novos posts? Compartilhem conosco! Comentem, mandem emails, repassem para amigos, mandem telegrama, pombo correio, o que for...vamos agitar isso aqui! 

Fonte: Acelbra-SP, Acelbra-RJ, Fenacelbra e Revista Veja Online (clique aqui para ver a matéria na íntegra)

Meus sinceros agradecimentos

Como eu conto com a ajuda de muitas pessoas e o tempo todo solicito o compartilhamento do blog, pensei que ao divulgar esta foto (abaixo), estarei mostrando o resultado não só da minha dedicação como da de todos vocês, que me incentivam, elogiam e compartilham o que escrevo! São apenas 8 dias de blog e vocês me ajudaram e ajudam a construí-lo, a cada dia.

Pessoas de perto, de longe, que eu conheço e que eu nunca vi, vocês também são responsáveis por isso tudo. Vocês são especiais não só para mim como para todas as pessoas que não consomem glúten.


Agradeço imensamente a ajuda e continuo enfatizando: compartilhem o quanto puderem! 
(Uma  forma de fazerem isso, se preferirem, é ao terminar de ler cada post, dar um "curtir". Automaticamente, você estará compartilhando o post no seu facebook.)


Meu MUITO OBRIGADA ♥

Como está pequena, cliquem na foto para visualizá-la em tamanho maior


Amanhã tem mais post por aqui. Falarei sobre os sintomas da doença celíaca. Tem bastante coisa interessante que pesquisei para falar para vocês!

Um super beijo e até amanhã, queridos "aglutinados"


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Indo às compras no primeiro dia

Quando "acordei celíaca", me dei conta de que não tinha nada em casa para comer. Havia tirado metade do meu armário e distribuído para quem pode desfrutar das delícias glutenosas. 
A primeira coisa que me veio à cabeça foi: Mundo Verde! Geralmente, é a primeira referência que temos de um mundo natureba (o marketing da franquia é ótimo, né?!). Nem fazia idéia do que tinha lá mas sabia que alguma coisa teria.

Por falar nisso, um dos nossos grandes erros é associar comida saudável e natural com comida sem gosto e sem graça. Eu escrevi bem, ERRO!

Tratei de logo localizar uma franquia. A mais perto ainda era longe e eu tinha algumas outras coisas para fazer. Recebi a ligação de uma querida amiga e então me lembrei de uma lojinha que era próximo de minha casa, em SP (Eco Mercato). Ela me acompanhou até lá.
Fomos super bem recebidas. Não tinha muitas opções mas dava para começar. 
Enquanto olhava, pensava: "Ai meu bolso! É tudo caro e/ou eu escolhi a profissão errada!"

Mas eu garanto gente, isso passa quando você começa a notar a melhora de todos os sintomas. É bem mais barato do que todos os remédios que você tomou e médicos que consultou durante sua vida.  Vejam, não é um gasto maior e sim, um cuidado melhor!

Lá na loja, a mãe do dono, em uma conversa, já me explicitou o quanto as comidas podiam ser estranhas. Claro, ela não falou isso de maldade (aliás, ela era uma fofa!). Meu Deus, eu estava na lama e ninguém tinha me avisado. Parem o mundo que eu quero descer. Eu amo comer e jamais teria prazer nisso sem o tal glúten. Era o que eu pensava.

Mas tudo bem, a minha condição jamais mudaria (ou mudará, visto que ainda não descobriram a cura da doença celíaca) e eu só precisava de um tempo para adaptação a nova rotina. 
Decidi comigo mesma dedicar meu tempo conhecendo produtos, sites, associações e afins ao invés de culpar a genética, me revoltar contra Deus, chorar ou gritar o quanto o mundo é injusto. Há males que vem para o bem e hoje, eu agradeço por ter vivido 3 anos em São Paulo, senão não teria conhecido aquela médica. 
Agradeço a Deus por ter colocado-a em minha vida. 
Agradeço a Deus por me colocar este diagnóstico agora e não futuramente, se viesse a descobrir que não poderia ser mãe (que é meu grande sonho!), passasse pela situação de um ou mais abortos ou de alguma doença mais grave.

Entendam, não foi e ainda não é fácil, principalmente quando saio de casa e encontro a ignorância, no bom sentido, das pessoas. No começo, tendemos a chorar, a gritar, a pensar de tudo...mas quando temos pessoas que nos amam ao nosso lado e uma forcinha de quem vivencia esse contexto, tudo fica mais fácil. 
Ter algum tipo de alergia ou intolerância alimentar não é frescura. É algo sério, que merece atenção e cuidado. Porém, isso não é e nunca será o fim do mundo, visto que o mundo tende a evoluir e nunca a andar para trás (graças a Deus!).


Querem saber o que comprei na primeira compra? Minhas primeiras dicas: 


Barrinhas de cereais orgânicas da marca biO2 Organic*
São uma ótima opção para o lanchinho, entre as refeições. Para quem ama açúcar, como eu, vai estranhar um pouco, pois elas são adoçadas com mel. Tenha paciência e seu paladar vai se acostumar.
Já experimentei a de açaí, acerola e goiaba. A que eu mais gostei foi de açaí, mas as outras também são ótimas. 

Canjica de milho com sal marinho da marca Okoshi
Sabem aquelas pipoquinhas doce, do saco rosa com um robozinho na frente? É exatamente isso. Particularmente, odiei a salgada. Abri para comer e deixei quase tudo. Achei bem estranha a salgada. Porém, a doce é uma delícia. Ela vem com açúcar orgânico.

Biscoito de polvilho da marca Qualitá
Comemorem! A maioria dos biscoitos de polvilho não possuem glúten. Escrevo a maioria porque não posso afirmar com toda a certeza de que todos são sem. Eu amo biscoito de polvilho e nunca deixo faltar. A marca pode ser alguma outra. Sinceramente, existem biscoitos bem melhores que o da Qualitá, mas como eu tinha a facilidade de comprar este, acabei colocando a foto. 

Maçã seca crocante da marca Jasmine
A Jasmine dificilmente deixa a desejar com relação a produtos saudáveis. Eu já tinha comido antes e fiquei super feliz de saber que podemos comer essa delícia tranquilamente, pois não é nada mais, nada menos do que a fruta desidratada. Existem outras marcas com outras frutas, mas eu sou super fã da maçã. Confesso que ainda não tive coragem de experimentar as outras frutas. Aliás, acho que deve dar para fazer isso em casa, né? Se alguém tiver a receita, compartilhe conosco.

Macarrão tipo parafuso da marca Urbano
Falar sobre as massas merece um post só pra isso. Eu sou apaixonada por massas e quando morava sozinha, comia pelo menos, umas 2 vezes por semana. Comprei esta porque foi a primeira que conheci. Logo que comi não senti diferença para o macarrão normal (mas gente, acho que já nasci com um paladar "meio celíaco", afinal não gosto de pizza, miojo e sinto pouca diferença entre os alimentos com e sem glúten, enquanto meus pais e meu namorado sentem).
Para quem gosta de macarrão al dente, os de arroz são perfeitos. Ficam durinhos!

Sequilhos de coco da marca Levina
Acreditem! Achei essa gostosura em um mercadinho pertinho de casa, em São Paulo. Achei uma delícia. Só que vou ser sincera, eu fico enjoada muito rápido com comida, então eu comi umas 3 vezes e logo enjoei de comer. Sei que existe outros sabores, inclusive chocolate, mas ainda não experimentei.


Frutas
Sempre fui apaixonada por frutas e graças a Deus não temos restrições nenhuma com elas. Claro, tem algumas pessoas que não se sentem comendo uma ou outra (eu, por exemplo, sofro com a acidez) e tem também a questão de gosto (não gosto muito de comer maçã). Quando soube do diagnóstico, passei a ter a fruteira bem mais cheia. Uma fruta sempre cai bem e é super saudável!


Graças ao ex-presidente Lula, que sancionou a lei 10.674, de 16.05.2003, em vigor desde 16.05.2004, onde todos os alimentos industrializados deverão conter as inscrições "contém glúten" ou "não contém glúten". Uma super conquista! 


Não tem erro, pessoal: é ler o rótulo. Não contém glúten, pode se deliciar. Se contém, tente achar uma substituição para não passar vontade. Não contém nada escrito e você têm dúvidas? Melhor passar vontade do que passar mal e, de quebra, agredir nosso intestino, né?! 


Aliás, vocês já pararam para pensar como seria ter um diagnóstico desses há 20 anos atrás? 


Um super beijo e até a próxima

Fonte: Acelbra-SP


Editado 14.02.2013
*As barrinhas de cereais orgânicas da marca biO2 Organic não são mais fabricadas sem o glúten. Todas as embalagens levam o título "contém glúten".

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Páscoa de quem não consome glúten


Estava aqui pensando e me dei conta de que a Páscoa está aí. Eu não poderia deixar de postar alguma coisa sobre isso, com as famosas dicas. Afinal, muitas pessoas ficam sem saber como presentear com chocolate uma pessoa querida que não consome glúten.

Para quem não consome, pode comemorar! A maioria dos chocolates que podemos consumir são MARAVILHOSOS! Já para quem vai presentear, prepare o bolso. Existem opções mais caras e mais baratas. Porém, será difícil encontrar no preço de barras de chocolates comuns (Lacta, Nestlé, Garoto, etc). Mas lembre-se, a pessoa que receberá ficará muito feliz de saber que você teve o cuidado de presenteá-la com aquilo que ela pode consumir. 
Quando alguém se preocupa em oferecer uma alimentação sem glúten nós nos sentimos tão importantes, porque representa o cuidado  e a preocupação que a pessoa teve conosco.

Bom, chega de papo e vamos ao que interessa!

Toblerone
Perfeito, né?! Eu adoro! Acreditem, eu nunca tinha comido. Agora, não pode faltar em casa! Sempre como uma, duas, três (...) pequenas pirâmides!

Alfarroba com coco/banana 
Encontrada nas lojas de produtos naturais, a alfarroba vem para substituir o chocolate. É um produto de origem vegetal, por isso não contém glúten e nem lactose (nos caso de nós, celíacos, é muito comum a intolerância a lactose também). Eu já comi esse e é extremamente bom. Sabem o chocolate Prestígio? O de coco é muito parecido! Vale a pena. 


Ovo zero glúten e zero lactose
Já ganhei esse ovo (no formato antigo - vinha em uma caixa) da minha madrinha e é muito gostosinho! 

Miau
A famosa "língua de gato", agora na versão da Cacau Show, sem lactose e sem glúten. É demaaaaais! Adorei!

Ovo Kinder Ovo
Esse chocolate é realmente uma delícia. Pena que a quantidade que vem não compensa muito. Mas, para nós que temos essa restrição, está valendo. Esse ano (março/2014) entrei em contato com o SAC e me informaram que as versões sem glúten são: Kinder Chocolate, Kinder Ovo e os ovos de páscoa Kinder MAXI e Kinder Natoons. 

O Kinder Chocolate (aquelas pequenas barrinhas) não contém glúten e você pode preparar uma cesta com várias delas. Lembre-se! Existe alguns chocolate dessa marca que possui glúten, especialmente os que possuem aquela "casquinha" parecida com a do Sonho de Valsa. Nem pensar em presentear com isso, hein?

Ovo de alfarroba
No mesmo esquema das barrinhas de alfarroba com coco. Existe também a alfarroba com banana, mas ainda não experimentei.

Ovo Choco Soy
Também encontrado nas melhores lojas de produtos naturais (e na loja virtual da marca Olvebra), é um chocolate sem lactose e sem glúten, pois é feito com soja. Nunca experimentei o ovo, especificamente, portanto não consigo opinar. Se você já experimentou, compartilhe conosco! 
Quanto as barrinhas, recomendo. 

Lindt
Yes! O preferido de muitas pessoas. Mas, cuidado! Não são todos da Lindt que podem ser consumidos. Leiam o rótulo. Depois, com calma, posso fazer um post só sobre isso, ok?

Kopenhagen
Delícia! Eu amo Kopenhagen e quase todos os chocolates de lá são sem glúten. As vendedoras são super atenciosas e saberão informar se o chocolate contém ou não (pelo menos nas lojas onde estive). E denovo, leiam o rótulo. O Lajotinha, Nhá Benta (o ovo não contém, apenas a Nhá Benta original) e outros chocolates que levam a famosa "casquinha" contém glúten. No site tem cada chocolate que parece super delicioso.


Gente, foi super na pressa para dar tempo de vocês pesquisarem e optarem pelo que julgarem gostoso e um preço que caiba no bolso, mas eu espero que tenha sido super válido!

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Editado dia 13.03.2013
Na Sabor de Saúde também é possível encontrar algumas opções, como a Alfarroba e Chocolates Ouro Moreno, todos sem glúten e sem lactose. 

Se você já provou algum, gostou ou não, divide com a gente. Afinal, esta é a função do blog.

Lembrando, SEMPRE confiram o rótulo. Não há nada mais fidedigno que isso. 


Editado dia 25.03.2014
A Serendipia Bakery (comandanda pela querida chef celíaca Renata Macena) também está com uma opção de dar água na boca...É um ovo de colher com brigadeiro gourmet ou funcional (sem lactose também). Eu já provei o chocotone e recomendo...então, imagino que o ovo seja deliciosa também!





Na Casa Santa Luzia (São Paulo) também é possível encontrar opções de chocolate belga (marca Oxanti) e da marca Chocolates Atelier da Gula (sem glúten, sem lactose e sem açúcar). Pode vir na versão ovinhos ou ovo de páscoa. Não provei mas fica aqui mais uma dica.




Também podemos contar com as opções variadas da Cacau Brasil, que tem produtos sem glúten para a Páscoa. Pelo site dá para ver quais são e, principalmente, a tabela nutricional, onde consta se há ou não glúten. Tem cada chocolate que parece delicioso! Tem opções sem glúten para crianças também. 
Confiram algumas opções:


ovo-trufado-tripolino-maracuja2

ovo-meio-a-meio-402

trufa-de-clher2

dinda2


Para quem gosta de ovos caseiros, como eu, também tem mais uma dica: são as delícias da Didi, cake designer que está a frente do Deli Art Cake Creations. Apesar de nunca ter experimentado os ovos de páscoa, já provei uma trufa e é sensacional! Vejam que fofura...





A Crumble, outra parceria do blog, também está com delícias para a Páscoa. São as caixas de trufas de biomassa tradicional, chia e de macadâmia! E olhem que fofura o vaso de pães de mel. Tudo sem glúten e sem leite. Nhami nhami!
Quem tiver interesse, pode encomendar pelo telefone (016) 3916.4676




Eu AMO receber o carinho das pessoas e poder contribuir para a realização de um sonho delas. Atender o público celíaco é uma atitude de coragem que admiro muito! Minha páscoa já começou feliz depois de comer esse ovo de nutella DELICIOSO, da Não Contém Glúten. Comandado por uma pessoa muito querida, a Não Contém Glúten produz chocolates artesanais, isentos de glúten e livres de contaminação cruzada!

E vocês precisam ver o capricho com que o ovo chegou...não derreteu, não quebrou, veio com uma flor de pasta americana linda e com esse embrulho super encantador.

Uma ótima pedida para a páscoa!
Quem tiver interesse, pode falar com a Samantta (fofíssima!):
www.naocontemgluten.net
contato@naocontemgluten.net
Tel.: (11) 99328.6104




Bom, espero que tenham gostado das opções!
Boas escolhas e uma ótima Páscoa a todos


O que você deve saber resumidamente sobre a doença celíaca: Conceito

Acho necessário fazer umas pausas para escrever um pouquinho sobre a doença celíaca. Então, conforme forem postadas as dicas, histórias, entre outras coisas, farei estas pausas para reunir o que associações, sites e livros (de confiança!) têm dito sobre a doença. 

Nesta primeira parte, vou me ater ao conceito da doença celíaca.  Quando recebemos o diagnóstico, faz-se extremamente necessário conhecer o que acontece com o nosso organismo para que compreendamos o porquê de não consumir o glúten. 

Em primeiro lugar, gostaria de fazer uma observação própria. Em minha opinião, este nome (doença celíaca) deveria ser mudado, uma vez que retirado o glúten, a doença fica "quietinha", logo você não está mais doente. Quando passamos a pensar nisso, passamos a compreender e aceitar mais a nossa condição.

A doença celíaca (também chamada de espru celíaco e enteropatia glúten-sensível) é uma doença ainda pouco conhecida e de difícil diagnóstico, já que os sintomas são bem parecidos com os de outras doenças; como aconteceu comigo, confundida com gastrite. É uma doença autoimune (ou seja, quando o organismo ataca a si mesmo) caracterizada por danos à mucosa do intestino delgado, provocados pelo glúten. 
Sendo assim, a doença celíaca é uma intolerância permamente ao glúten, surgindo em pessoas que possuem tendência genética para ela.

Mas afinal, o que é o glúten? É uma proteína encontrada no trigo, aveia, centeio, malte e cevada. Sendo assim, uma pessoa intolerante a este tipo de proteína, não pode consumir alimentos que contenham estes "elementos". O glúten está presente em muitos alimentos consumidos diariamente pelas pessoas, tais como itens de padaria (pães, roscas, bolos, bolachas, entre outros), cerveja, pizzas, macarrão e massas no geral, alguns temperos prontos (caldos de carne, galinha, costela, etc.) e muitos outros alimentos que serão comentados aqui, aos pouquinhos. Paralelamente, darei dicas sobre os substitutivos para todas as coisas gostosas que consumíamos antes. Vejam, nós celíacos, conseguimos comer de tudo, desde que aprendamos a substituir os ingredientes.

Geralmente, a doença celíaca se manifesta na infância, entre 1 e 3 anos, sendo considerada tipicamente como uma condição pediátrica. No entanto, atualmente, sabe-se que ela pode permanecer silenciosa e vir a se manifestar clinicamente depois de anos de danos ao intestino e ao organismo como um todo. 
Quanto antes diagnosticada, maiores chances de evitar danos futuros. Isso inclui osteoporose, anemia frequente, irregularidades menstruais, infertilidade, dificuldades para manter a gestação e até câncer no intestino.


Estima-se que 1 em cada grupo de 100 a 200 pessoas nos EUA e na Europa tenha a doença celíaca. No Brasil, ainda não há um número oficial sobre a prevalência da DC, mas em uma pesquisa publicada pela UNIFESP, em 2005, um estudo feito com adultos doadores de sangue revelou que há a incidência de 1 celíaco para cada grupo de 214, moradores de São Paulo.


Ainda, há pessoas que não são celíacas mas possuem sensibilidade ao glúten. Recentemente (Nov/2011), em uma reportagem no programa Globo Repórter, obtivemos a estatística de 1% da população representada por nós, celíacos. No entanto, 20 milhões de brasileiros não chegam a ter a doença mas possuem sensibilidade ao glúten. Muita gente, não é? Se compararmos com o conhecimento das pessoas sobre o assunto. Falaremos disso mais pra frente.

O que minha médica me explicou, no dia em que me deu o diagnóstico, é que o nosso intestino absorve grande parte daquilo que ingerimos. Nele, temos as vilosidades, que são como bracinhos  que captam os nutrientes. Quando ingerimos o glúten, no caso dos sensíveis a ele, machucamos a mucosa intestinal e consequentemente, as vilosidades. Com isso, deixamos de absorver os nutrientes do que comemos, parcial ou totalmente. Em casos mais graves, quando o intestino fica lisinho, começam as crises de diarréia, que é quando o alimento "passa direto". 

Não se sabe o porquê muitas pessoas, como eu, apresentam o sintoma contrário, ou seja, não a diarréia mas a constipação intestinal.

Abaixo, consegui uma figura que ilustra o intestino de uma pessoa sem a doença e o intestino de um celíaco, a partir de uma observação microscópica.

                                     Fonte: UFRGS


Perceberam a diferença? Por isso, é muito comum as pessoas perderem peso e ficarem anêmicas. Contrariamente, pode acontecer o que aconteceu comigo: nunca tive deficiência de quaisquer vitaminas e não cheguei a perder peso desenfreadamente, o que dificultou a desconfiança de outros médicos com relação ao diagnóstico. Quando comecei a investigação, estava com alguns episódios de diarréia isolados, o que me fazia pensar ter comido alguma coisa que não me caíra bem.

Nesta mesma reportagem do Globo Repórter, foi abordado um projeto existente na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, que atende às necessidades nutricionais dos portadores da doença. 


Pessoal de Minas Gerais, procurem se informar sobre o projeto. Em uma busca pessoal, encontrei esse site, onde vocês podem entrar em contato com o Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade.



Vale ressaltar que cada organismo reage de uma maneira, portanto nunca será igual para todos. No próximo post "O que você deve saber resumidamente sobre a doença celíaca", escrevei sobre os principais sintomas da doença.

E não se esqueçam: gostaram deste cantinho? Estão achando super válido? Comentem, dêem sugestões, compartilhem com as pessoas. Lembre-se, há pessoas que podem consumir o glúten mas não o fazem por opção. Não deixe de passar para frente o que você tem lido aqui!

Um beijo grande


Fonte: Acelbra-SP, Acelbra-RJ, UFRGS, Fenacelbra, G1 e Vivendo sem Glúten (livro)

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